ESTRATÉGIA METODOLÓGICA PARA "EMPODERAMENTO" DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO EM AGRICULTURA FAMILIAR.


Elisabete Brocki 12e Sandra do Nascimento Noda 32

Conhecimento e Poder:

Conhecimento é tido como poder (Berger & Luckmann, 1966; Ingles et al., 1999). O "empoderamento" em agricultura familiar é um desafio para a etnoconservação na Amazônia, pois pesquisadores, técnicos e agricultores familiares possuem diferentes quadros referenciais para a agricultura. É em "encontros de interface" que os indivíduos ou grupos interagem em diferentes sistemas sociais e de conhecimento (Long, 1989; Scoones & Thompson, 1992). Então, o "empoderamento" do conhecimento surge como o produto da interação e diálogo processual para o rompimento das relações de dependência e recuperação da capacidade em transformar a realidade local.

Objetivos:

O trabalho em execução visa promover o diálogo entre as populações de agricultores familiares para a apropriação do conhecimento científico para:
· Revitalizar a cultura local para a organização social das comunidades rurais;
· Abrir e efetivar comunicações e acessos, tendo o aprendizado como um processo dialógico;
· Instrumentar os agricultores familiares para planejar e agir com vistas a promover as mudanças sociais locais desejadas.

Estratégia de Diálogo entre Conhecimentos:

Por meio de métodos participativos de pesquisa-ação (Thiollent, 1988), são realizadas oficinas de trabalho que levam à reflexão, mobilização e ação para a etnoconservação. Nos encontros de interface ocorre o enfrentamento das visões "emic" e "etic" entre conhecimentos científico e tradicional.

Oficinas de Planejamento Organizacional:

O aprofundamento vertical e horizontal do conhecimento permite a integralização das visões de realidade, no contexto regional, para que se possa priorizar os problemas a serem trabalhados e definir as ações a serem tomadas (Noda & Melo, 1991; Brocki et al., 2001).

Oficina de Construção de Cartilha de Matas Ciliares: Um Exemplo de Dialogicidade:

1. Profissionais e discentes de ciências agrárias e pedagogia elaboram conteúdo inicial sobre conservação de ambientes lacustres;
2. Em oficinas de trabalho a cartilha, na forma de álbum seriado, é "traduzida" com a incorporação de realidades e conhecimentos locais de cada comunidade, com o resgate da história da organização local para a etnoconservação dos lagos;
3. Nova versão do álbum seriado é apresentado para a comunidade para validação e aprovação final.

Ferramentas Adotadas:

Mapas cognitivos, narrativas, grupos de cochicho, matrizes de prioridades e grupos focais.

Referências Bibliográficas:

BERGER, P.L.; LUCKMANN, T. The social construction of reality. Ed. Anchor.New York, 1966.
BROCKI, E.; NODA, S.; NODA, H.; BARROSO, J.L. 2001. Organização e apropriação dos recursos naturais por agricultura familiar ribeirinha. In: Encontro da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção, 4., Belém, PA. Anais do 4. Encontro da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção, UFPA/CA/NEAF. Cd-rom.
INGLES, A.W.; MUSCH, A.; QWIST-HOFFMANN. The participatory process for supporting collaborative management of natural resources: an overview, FAO, Rome. 1999.
LONG, N. Encounters at the interface: a perspective on social discontinuities in rural development. Wageningen Studies in Sociology 27. Wageningen Agricultural University, The Netherlands.1989.
NODA, S.N.; MELO, C. Questão metodológica, questão política: relato de uma experiência. In: Amazônia: a busca de alternativas. Relatório do Encontro Nacional sobre a Amazônia. Central Única dos Trabalhadores. FASE/Forum Permanente de Debate da Amazônia, Manaus-AM. 1991.
SCOONES; THOMPSON. 1992. Beyond farmer first: rural people's knowledge, agricultural research and extension practice. Ed. ITD. Londres. p. 98-116.
THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. Ed. Cortez Autores Associados, São Paulo, 1988.

1 Docente - UTAM/UEA. Av. Darcy Vargas, 1200 Parque 10. 69.050-020. ebrocki@hotmail.com;
2 Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos Amazônico - NERUA. nerua@inpa.gov.br
3 Docente - UFAM/FCA. snoda@inpa.gov.br; nerua@inpa.gov.br